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Projeto de Restauração da Igreja de São Januário e Santo Agostinho


Visão do altar na década de 60

O mesmo local em dezembro de 2001

 

Antônio Alves de Carvalho, por solicitação da Associação Cultural Joaquim Gonçalves Ledo, está empenhado no projeto que visa a recuperação deste Patrimônio Histórico e Cultural do bairro de São  Cristóvão, no Rio de Janeiro. Veja abaixo os dados completos sobre este patrimônio no excelente trabalho do escritor e jornalista Júlio Nobre, e mantenha o mouse sobre as miniaturas das fotos ao lado para vê-las ampliadas.


 

RESUMO HISTÓRICO DA
PARÓQUIA DE SÃO JANUÁRIO
E SANTO AGOSTINHO


PARTE 1 - HISTÓRICO

O ano de 1855, marca a fundação da Irmandade Religiosa de Nossa Senhora da Conceição e das Dores , um movimento devocional que seria o grande responsável pela existência da atual Igreja Matriz de São Januário e Santo Agostinho.
Esta por sua vez, teve como embrião a Capela de Nossa Senhora da Conceição e Das Dores, erigida em 1879 em terreno próprio na Rua São Januário (hoje nº 233) nos limites dos bairros de São Cristóvão e Vasco da Gama, na Cidade do Rio de Janeiro.
A Rua São Januário ficou conhecida pelo nome, devido a uma grande colônia italiana que se estabelecera nas imediações e que tinha por "São Gennaro", Padroeiro da Cidade de Nápoles, Itália, uma forte e sindevoção.
Essa rua tem início no Largo da Cancela e termina no Estádio do Club de Regatas Vasco da Gama que por vontade popular leva o nome do Santo.
Na Segunda década do século XX (no ano de 1921 para ser mais exato), a Capela entrou em decadência pelo abandono, devido ao desabamento do seu teto. Posta abaixo, foi reconstruída em dimensões bem menores da original.
Um ano depois da Revolução de 1930, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, a Capela e seu terreno foram doados a Mitra que por sua vez os transferiram de forma "ad perpetum" para os Padres Agostinianos Recoletos (Ordem Religiosa inspirada nos ideais do Filósofo, Bispo Santo Agostinho que detêm o título honorífico de Doutor da Igreja). Na oportunidade, estes frades residiam e prestavam serviços religiosos na Igreja de Santo André na Rua Bela. A negociação contou com a participação decisiva do Comendador Rainho que presidia a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição e Das Dores.
No dia 8 de Setembro de 1934, a Paróquia foi oficializada pelo Cardeal D. Sebastião Leme e no dia 16, Frei Julião Ortiz tomou posse como o primeiro Pároco da nova Igreja.
Frei Julião ao que tudo indica deve ter deixado uma forte dose de entusiasmo durante o seu período como Pároco, tanto que o seu sucessor, Frei José Osés adquiriu um terreno ao lado da Igreja (hoje nº 249) e após colocar abaixo a Capela, iniciou em 1940 a construção da Igreja Matriz que seria inaugurada em novembro de 1947 com a Benção do Cardeal Sebastião Leme.
Nossa Senhora da Imaculada Conceição e Das Dores foi mantida como Padroeira em homenagem a Irmandade. São Januário em homenagem a região e Santo Agostinho por ser o inspirador da regra e vida dos Padres que governam a Igreja Matriz.
Ainda em 1947, a Casa Paroquial foi demolida para ser reconstruída no ano seguinte. As novas instalações passaram a abrigar a Cúria da província de São Tomáz de Vila Nova que ali permaneceria até 1960.
Em 1950, era adquirido um órgão modelo 3-B da Hamond (fabricante alemã de Órgãos, marca pioneira nas igrejas brasileiras), que se constitui de uma pedaleira de 4 oitavas e dois teclados além de chaves-registros responsáveis por uma sonoridade própria, imitando com perfeição o sistema de tubulação (pipe organ) proporcionando uma sonoridade própria e adequada para o ambiente. Em 1994, sob a direção do Pe. Frei Laurindo Côco, este instrumento foi transistorizado. Hoje, provavelmente devido ao uso inadequado, encontra-se desativado e a Paróquia não possui recursos para a sua reforma.
No dia 27 de Janeiro de 1952, o Cardeal D. Jaime Câmara benzeu solenemente a Igreja Matriz e também a Pedra Fundamental da Escola Paroquial erguida aos fundos da Igreja (um prédio de dois andares: na parte superior, seis salas de aulas. Na parte inferior, um Salão destinado a festejos, Palestras, Encontros e outras atividades afins, reformado em 1998).
Em 59, o então Pároco Frei Félix Pardo retomaria as obras do templo com a reforma do Presbitério com o altar mor e piso feitos todo em mármore, inaugurado por Dom Hélder Câmara no dia 7 de setembro. No ano seguinte, Frei Félix contrata o Pintor baiano José Lima para decorar o interior do templo. O resultado foi magnífico. Os quadros, pinturas e arabescos de Lima, cuja a técnica aliada a uma profunda sensibilidade falam por si mesmo. Em 1967, sendo Pároco o Frei Simón Azpeitia, foram reformadas a parte frontal da Igreja e a casa Paroquial.
Entre os anos de 1975 e 1978, o Pároco Frei Estevão Montez promoveu melhoramentos na Casa Paroquial, tais como a construção de banheiros, ar condicionado e novas instalações de rede elétrica, sendo esta a derradeira grande obra desta Igreja.
Em 1992 teve a sua torre interditada. O Sino feito de bronze esteve prestes a ruir.
A falta de conservação por pouco também não ocasionou uma vítima fatal no ano seguinte: um grande lustre tendo os seus sustentadores corroídos, despencou do teto atingindo o então Pároco Frei Alaôr dos Santos. Os demais lustres foram retirados por medida de segurança e nunca mais foram repostos.
Hoje, a Paróquia dirigida pelo ex-Provincial Frei Enéas Berillique que assumiu a função de Pároco em 14 de maio de 2000, recentemente restaurou o seu telhado. Mesmo diante de grandes dificuldades, Frei Enéas mantêm o otimismo e espera restaurar totalmente a Igreja Matriz de São Januário e Santo Agostinho, restabelecendo o seu brilho de outrora.

PARTE 2 - DESCRIÇÃO TEMÁTICA DA OBRA DO ARTISTA JOSÉ LIMA NO INTERIOR DA IGREJA

José Lima era parente do Arcebispo de Salvador-Bahia nos anos de 1960. Conhecedor dos valores da religião católica romana da qual era seguidor, tornou-se mais do que um mero repetidor ou copista de imagens, pois sabia exatamente o que pintava e porque pintava. Segundo os testemunhos dos Frades Daniel e José Casado (ambos falecidos) e da cantora Aloysia de Assis, era um homem de temperamento pacato. Quieto e silencioso, dedicado e compenetrado ao seu trabalho. Segundo essas pessoas com as quais tive contato, toda a decoração da Igreja foi feita por contato direto nas paredes pelo próprio Artista que a fez sozinho sem auxiliares em pouco mais de um ano.
Nas paredes laterais as treze estações do Sagrado Caminho, a "Via Sacra" do Redentor que retrata os últimos passos de Jesus desde a sua condenação perante o Procurador Romano Pôncio Pilatos até o túmulo.
Acima da via Sacra, encontram-se pintadas as imagens dos santos de maior devoção por parte dos paroquianos em toda a sua trajetória e outros pertencentes à Ordem de Santo Agostinho: São Bartolomeu (Apóstolo), Santa Maria Gorete, Santo Antônio (Primeiro Teólogo da Ordem dos Frades Menores fundada por São Francisco de Assis mas que originalmente pertenceu aos Cônegos Regulares de Santo Agostinho), Santa Luzia ( Protetora dos Olhos), São Francisco Xavier (Santo muito popular da Sagrada Cia de Jesus "Jesuítas"), São Tarcísio (representante da devoção e do amor pela Santa Eucaristia, mártir ainda menino), Santa Inês, Santa Terezinha (inspiração dos contemplativos), São João Evangelista (autor do Quarto Evangelho, o mais novo dos Apóstolos, aquele que acompanhou Jesus até a sua morte na cruz e aquele que no próprio Evangelho é distinguido de forma especial pelo Mestre: "Aquele que Jesus amava"), São Cristóvão (Santo forte e de grande estatura que sobre os ombros transportava os viajantes de uma margem a outra do Rio Jordão; diz a lenda que transportou o Menino Jesus; Santo que deu nome ao bairro onde a Igreja se localiza), Santa Isabel de Portugal (uma alusão a colônia portuguesa, a mais participativa e fiel da Paróquia desde a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição e das Dores), São João Batista (O Arauto do Messias, decapitado a mando de Herodes o Grande, e que vivia em austeridade no deserto e cobria-se com pele de carneiro) e Santa Rosa de Lima. Brasões das Províncias de São José, Candelária, Nossa Senhora da Consolação (Padroeira da Ordem Agostiniana), Tríplice Coroa do Poder do Papa e Brasão da Ordem Agostiniana. Vista frontal da Igreja na rua São Januário
No teto: São Nicolau de Torentino, São Vicente de Paula (cuja Paróquia possui quatro confrarias de sua congregação), São Sebastião (Padroeiro da Cidade do Rio de Janeiro, martirizado pelo Imperador Dioclesiano por recusar-se a renegar a fé cristã) e Nossa Senhora de Fátima (a Virgem Maria que apareceu na Cova da Iria, em Portugal, de grande veneração pela Colônia Portuguesa a "Fidelíssima" colônia da Paróquia). A Sagrada Família; São Tomáz de Vila Nova (Agostiniano), a Sagrada Família e uma retratação dos Padres que serviam a Paróquia na época: Frei Félix (Pároco), Frei João Batista, Frei João Goiano junto com os Irmãos Leigos: Leopoldo e João Altarreros e o Organista Oficial da Paróquia: Moacir Maciel (que anos depois comporia o Hino "A Benção João de Deus" para recepcionar o Papa João Paulo II em sua primeira visita ao Brasil) ajoelhados diante do Papa João XXIII. Santa Rita de Cássia.
No teto que antecede ao teto de Presbitério: Os principais momentos da vida de São José (Padroeiro dos Irmãos e Padres de Ordens Religiosas); O Casamento com a Virgem Maria, São José e o Menino Jesus e a Morte de São José. Na parte frontal a esta: Natividade de Jesus, Jesus o Bom Pastor, A descida da Cruz, São Pedro afundando nas águas e salvo por Jesus, Aparição de Jesus a Santa Maria Margarida e a Santa Cecília.
Nas paredes laterais dos altares laterais: Os Evangelistas Mateus (e sua representação no Leão), Marcos (e sua representação o Anjo), São João (e sua representação a Águia) e São Lucas (e sua representação: o Boi). Abaixo de Lucas, uma pintura de proporções maiores de São Paulo (Autor das Epístolas e que deu uma nova identidade ao Cristianismo, organizador das primeiras comunidades fora da Palestina); abaixo de São Mateus (Santa Ana, Mãe da Virgem Maria), abaixo de São João, São Pedro, o primeiro Chefe da Igreja (o primeiro da linhagem dos Papas) e São João Batista Villaney (Padroeiro dos Padres).
Teto: Parte frontal do Presbítero: Sagrado Coração de Jesus e Maria, São Nicolau de Torentino, Santo Antonio, Virgem Maria e o Menino Jesus, Jesus desde o seu nascimento até a coroação de Nossa Senhora no céu: o Rosário e os seus Quinze Mistérios (Gozosos, Dolorosos e Gloriosos). Santa Mônica, Santo Agostinho.
Presbitério ou Altar Mor: Paredes Laterais: Triunfo de Santo Agostinho, o Cordeiro de Deus, o Peixe e o Pão, o Martírio de São Januário, a Hóstia com os ideogramas Sagrados IHS e o Pelicano, símbolo primaz dos Cristãos com a fêmea arrancando a própria carne para servir aos filhotes.
Teto do Presbitério: A Coroação de Nossa Senhora (pelas Três Pessoas de Deus). Réplica perfeita nas mesmas proporções da Capela Cistina do Vaticano.
Salões laterais: Bodas de São José; Quadros de Dom Jaime (Arcebisbo do Rio na ocasião da oficialização da Igreja Matriz) e o Papa João XXIII (o Papa da época).
Coro: Tubulações de Órgão destacando Santa Cecília, Padroeira dos Músicos e Mártir.
Acima do Batistério: Nossa Senhora da Conceição Aparecida
Vitrais: Altar Mor: Santa Juliana (Agostiniana) e o Papa Urbano.
Vitrais Coro: São Tomaz de Vilanova, Nossa Senhora da Conceição, Santo Agostinho, São Januário, São José e o Menino Jesus e São Sebastião,
Vitrais Laterais: Jesus O Bom Pastor, Santo Agostinho, Santa Mônica, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Cecília.
Vitral Batistério: O Batismo de Jesus (Jesus e S. João Batista).

3 - IMAGENS EXPOSTAS NO TEMPLO:
Cristo Crucificado (1 x 0,80 m) e outro acima do Sacrário.
Batistério: Nossa Senhora das Dores, São Vicente de Paula, São Judas Tadeu, São Jorge e Santa Terezinha.
Altar Mor, laterais: São Januário e Santo Agostinho.
Altar Mor, topo: Nossa Senhora da Imaculada Conceição.
Altar Mor, redoma: O Senhor Morto.
Altares Laterais: 1- São José, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora de Fátima e São Tarcísio.
2- Santa Mônica, Nossa Senhora da Consolação e Santa Rita de Cássia.
OBS: Recentemente foram entronizadas as Imagens de Nossa Senhora e São Tiago de Compostella.

4 - FATO OU LENDA QUE TORNOU-SE TRADIÇÃO.

Acima dos portais da Igreja existe uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, oriunda da antiga Capela. Dizem que durante a construção da Matriz quando a Capela foi colocada abaixo, sempre surgiam problemas que impediam o término da obra. Foi então que um dos fiéis sugeriu ao Pároco que a imagem fosse recolocada nos portais e não no Altar Mor. Feito isso, as obras seguiram normalmente e foram concluídas sem problemas. Para o altar, foi mandado fazer uma outra imagem de Nossa Senhora. A original permanece no mesmo lugar exposta ao tempo...

5 - BREVE RESUMO DA VIDA DO PADROEIRO SÃO JANUÁRIO

De origem nobre, São Januário viveu no fim do Séc. III e tornou-se Bispo de Benevento, cidade próxima a Nápoles, Itália. Foi um Clérigo Zeloso e Bondoso e, acima de tudo fiel a Deus, apesar das terríveis perseguições aos cristãos por parte do Imperador Dioclesiano.
Preso com seu Diácono, Sósio e mais alguns membros do Clero, São Januário foi levado à cidade de Pozzuoli e condenado a morrer devorado pelos leões. Porém ele e seus companheiros saíram ilesos e os leões em nenhum momento os ameaçaram.
Atingido em sua moral, o Imperador manda que São Januário e seus Companheiros sejam decapitados. Os soldados obedecem e permitem que uma freira recolha piedosamente o sangue em uma ampola (segundo o costume da época as vítimas por decapitação tinham essas ampolas colocadas sobre os seus túmulos). A Freira dirigiu-se a Nápoles não se sabe por qual motivo e apresentou ao Bispo local a ampola com o sangue do Mártir. Naquele momento o sangue coagulado se liqüefez.
Convencido do Milagre, o Bispo de Nápoles mandou transladar o corpo do Santo para a Colina de Capodimonte e mais tarde para a Catedral de Nápoles.
O sangue de São Januário se liqüefaz sempre nos meses de maio (mês em que foi transferido o seu corpo para Nápoles) e Setembro (mês do seu Martírio), quando as manchas deixadas na pedra em que foi decapitado se reavivam e o sangue se liqüefaz sobre a mesma pedra.
Até os dias de hoje, cientistas renomados não encontraram uma explicação plausível para o fato. Alheios a tudo isso, milhares de fiéis impulsionados pela fé, visitam todos os anos a tumba de São Januário na Catedral de Nápoles.

4 - OS FESTEJOS DE SÃO JANUÁRIO

Em 1993, o Pe. Frei Laurindo Côco, resolveu dar um destaque todo especial a Festa de São Januário com atrações musicais e apresentação dos grupos folclóricos de Portugal e Itália, Aquela estaria destinada a ser a maior festa dos últimos cinqüenta anos do bairro.
Infelizmente, os sucessores do Frei Laurindo não deram prosseguimento a iniciativa e com homenagens modestas, o mês do Padroeiro passou quase pelo um total esquecimento.
Em 2000, Frei Enéas resolveu reeditar a festa, quase nos mesmos moldes da que a organizada por Frei Laurindo, promovendo atrações musicais e apresentação de grupos folclóricos procurando desta vez uma integração maior entre a música brasileira, portuguesa e italiana, como o grande motivador para integração das colônias. A festa foi um sucesso, embora não tenha conseguido superar a de 1993, com destaque para a noite portuguesa.
Em 2001, repetiu-se a festa, só que desta vez dando-se uma ênfase maior a colônia italiana que não correspondeu.
Para 2002, Frei Enéas tentará reorganizar a Festa com uma participação maior de atrações e uma divulgação ostensiva na mídia. O objetivo é a recuperação de toda a área da Igreja e o resgate dos áureos tempos da Matriz de São Januário e Santo Agostinho que pretende ainda este ano voltar aos seus melhores dias.

Pesquisa de Julio Nobre (Jornalista Reg. MTb nº 18826 e Escritor Matric. Nº 1365 SEERJ).

Fontes: Frei Enéas Berilli, Frei Pedro Olavo Queiroz Macedo, Pe. Félix Pardo, Aloysia de Assis e livros e apontamentos da Igreja Matriz de São Januário e Santo Agostinho.

 
 

 

 
 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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